Festival Nascional de Musica em Divinópolis

dezembro 7, 2009

1º FESTIVAL NACIONAL DE MÚSICA DE
DIVINÓPOLIS.
A proposta do idealizador do projeto, o músico Walter Caetano, é realizar um
evento inédito na cidade, com visibilidade e dimensão nacionais!
Oficinas para músicos de todo o Brasil + apresentações gratuitas de concerto
e óperas durante uma semana.
O site estará no ar em breve!!

Uma boa iniciativa para quem gosta de boa musica e é disso que a cidade do Centro Oeste mineiro  anda precisando: eventos culturais de qualidade.

Programação ainda não esta disponível

Resenha de “LÍNGUA – VIDAS EM PORTUGUÊS”

dezembro 6, 2009

LÍNGUA – VIDAS EM PORTUGUÊS

DIREÇÃO: VICTOR LOPES

 “No fundo, não estás a viajar por lugares, mas sim por pessoas”

Mia Couto – Escritor moçambicano

“Não há uma língua portuguesa, há línguas em português”

José Saramago – Escritor português

         Língua – Vidas em Português é um documentário filmado em seis países (Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, França e Japão), e conta com a presença de pessoas ilustres como José Saramago e de outras pessoas anônimas.

O mais interessante é perceber a memória que está armazenada na língua. Nos seis países visitados, quando os entrevistados são instados a se pronunciar e o fazem em português passam uma sensação fantástica de intimidade para o telespectador que também fala português. O cenário pode não ser conhecido, mas, a língua cria uma zona de conforto.

Para se ter uma dimensão dessa afirmativa, os olhos puxados de algumas personagens do documentário a priori afastam a possibilidade de semelhanças entre as culturas, no entanto, está na língua uma possibilidade de link entre o Japão e o Brasil. Os japoneses que falam português deram a sua contribuição à língua e sentem-se em casa em um bar brasileiro localizado em Tóquio (provavelmente se comunicam em um português oriental!). A música é brasileira, o ambiente nos é familiar, no entanto as pessoas são de um outro continente e de uma cultura bastante diversa da nossa.

Aparece um casal, francês, salvo engano, que fala português e que tem consciência de o que é moda e faz questão, provavelmente num grito rebelde por espaço, de estar fora dela. E argumentam que caso você se torne escravo da moda, qualquer dificuldade financeira, por exemplo, pode acabar com a sua vida. Pode deixá-lo sem identidade. Eles vivem a maneira de se comunicar, que vai além da fala e da escrita, com intensidade e dão importância ao estilo de vida e de se vestir como códigos sociais que são.

Há um outro momento bastante relevante que é o da apresentação de um ritual religioso em um dos países estrangeiros que são visitados. Por mais que a compreensão de palavra por palavra seja comprometida pela velocidade do sotaque, a emoção é muito clara e mora justamente nessa memória que a língua guarda tão bem. A comprovação está em um ritual religioso realizado em uma favela do Rio de Janeiro que, embora com um texto diferente, traz a mesma carga dramática e nos permite o mesmo envolvimento emocional.

São inúmeras passagens que mostram como a língua portuguesa sofre diferentes influências, cruza com as mais diversas histórias, culturas e não se esvazia jamais de sentido, isso é a própria comunicação. Não há a possibilidade de uma língua simplesmente absorver novas interpretações isoladas, contextualizadas apenas para um ou outro país. Ela pertence a um universo muito maior e representa a memória coletiva de um povo colonizador e um povo colonizado.

João Ubaldo Ribeiro analisa tecnicamente as alterações que o português brasileiro tem sofrido em função das dimensões geográficas do Brasil e das influências de outros povos. Não demonstra desconforto quanto à absorção de vocabulário, apenas quanto à importação de sintaxe, no entanto, conclui que é um processo natural e que caso não ocorresse todos ainda falaríamos latim.

O foco do documentário está na demonstração de que o português não é uma língua estática, assim como não são estáticas as sociedades que falam ou poderão vir a se comunicar através da última flor do Lácio.

Mariana Menezes

Fonte: o documentário e muitos textos…

RESENHA DO FILME “UMA ONDA NO AR”, DE HELVÉCIO RATTON

dezembro 6, 2009

Os amigos Jorge, Zequiel, Brou e Roque decidem montar uma rádio em uma favela de Belo Horizonte, na década de 80. O objetivo da rádio era difundir a cultura do morro, os talentos que moram na favela e também, conversar com as pessoas da comunidade sobre assuntos pertencentes ao seu universo, ser um instrumento de transformação social.

Jorge é filho de uma faxineira de uma escola de classe média alta de Belo Horizonte. Graças a esse fato estudou em uma boa escola particular até o 3° ano e lá foi vítima de descriminação racial e de classe. Zequiel é técnico em eletrônica e se tornou o responsável pela construção do transmissor que levaria a voz do morro para todos. Brou era filho de um dono-de-bar e era um artista. Fazia poesia e música com qualquer pauta, morreu com um tiro nas costas disparado por um desafeto de Roque. Roque tornou-se um traficante. Dizia não ter futuro e que seu destino era viver bem (leia-se com luxo) enquanto vivesse. Dos quatro apenas Roque traficava e usava droga. Morreu defendendo a “boca” onde trabalhava.

Jorge é um homem forte, idealista, ético e um líder comunitário nato. Grande comunicador conseguia dialogar com a sua comunidade sem agredi-la, sem se desfazer dela e ao mesmo tempo alertando quanto aos perigos que a cercava. Conhecia profundamente a formação histórica e social de onde morava e os costumes daquele lugar.

A mídia comunitária não é apenas um espaço para reivindicações, prova disso é o prêmio concedido pelas Nações Unidas à rádio Favela, pelo trabalho de educação e prevenção ao uso e tráfico de drogas. Jorge lia cartas de condenados para desfazer a idéia de glamour que o tráfico poderia causar nas crianças e adolescentes. Chamava a atenção dos governantes quanto à seriedade de ampliar o ensino formal no país e abortar as políticas de armamento das polícias que acabam por se tornar inimigas das comunidades.

O conceito de comunidade está diretamente ligado à orientação afetiva, à vontade natural ou essencial de se conviver. A primeira comunidade a que fazemos parte é a família. Na sequência, essa comunidade amplia seus limites e se baseia em um habitat comum e que, por consequência, abriga religiões e outras mesmas metas. Jorge era aceito, em um acordo tácito, como o representante da comunidade da favela onde morava. Era porta-voz daquele povo, da linguagem daquele povo e das pautas pelas quais eles se interessavam.

  A rádio pirata entrava no ar todos os dias no horário da “Voz do Brasil”. Os assuntos abordados naquele programa eram muito distantes deles e enquanto alguns tomavam o “café com o Presidente”, Jorge alertava sobre a presença da polícia subindo a “sua quebrada” e do perigo de troca de tiros, do sumiço do papagaio de uma vizinha e da dor de dente de um outro morador.

            Além da comunicação dentro da favela, Jorge se preocupava também em falar com as pessoas do asfalto (era como ele se referia à cidade). Pedia que os moradores da favela fossem tratados com dignidade, sem preconceitos e com respeito. Pedia mais, clamava por geração de emprego e pela não-violência.

            O locutor da Rádio Favela foi preso várias vezes e solto na mesma proporção. A rádio era clandestina até que, em 2000 recebeu autorização para funcionar e tornou-se a Rádio Educativa Favela. Ficção e realidade unidas para demonstrar a força de uma comunidade organizada, que fala uma só voz, discute seus problemas, hierarquiza suas prioridades e se preocupa com a formação de seu povo.

Mariana Menezes

Fonte: O filme e muitos textos…

Primavera, Verão, Outono, Inverno e… Primavera

dezembro 6, 2009

         Eu sempre morei neste templo flutuante. Pelo menos, desde que comecei a juntar lembranças, tenho certeza de que não existiu outro lugar. Sei exatamente como aquela imensidão de água e de árvores (plano geral) mexem com o interior das pessoas. A minha vida é uma narrativa simples, sem pontos muito altos ou muito baixos.

        Minha companhia era o Mestre Oh. Ele era sábio, sereno, mas, não era afetuoso. Francamente eu nem sei o que ele sentia por mim. Nem sei porque ele insistia em me ensinar tantas coisas que eu nem sabia se queria aprender. Mas, como não me restavam outras opções, acompanhava atento a explicação de quais são as ervas que deveria pegar e quais são as que fazem mal. Ah, e como devo tratar os animais também foi uma lição preciosa e que aprendi a duras penas.

        Uma das minhas brincadeiras preferidas – claro, quando o mestre Oh não estava por perto – era amarrar pedras ao corpo de animaizinhos como cobra, sapo e peixe e acompanhar o sofrimento deles para continuar o curso de suas vidas. Parecia impossível e era. Só pude perceber isso quando, com uma pedra amarrada nas costas, tive que chegar à ilha e soltar os bichinhos que eu havia perturbado. O mestre estava certo, a dor que eles sentiram por minha culpa, passou a morar em meu coração. O peixinho e a cobra não resistiram. Consegui salvar o sapo.

        A vida é uma seqüência de evoluções e provações a que somos submetidos o tempo inteiro. E não tem como ser diferente e não deve ser. No verão, quando completei 17 anos, uma mãe trouxe a sua filha para o templo. A menina estava doente, acho que a alma dela estava doente. Ela despertou instintos que eu não sabia que moravam dentro de mim. Quebrou a minha paz. O mestre sabia de tudo. Sempre soube. Ele previa que eu teria que passar por mais essa etapa da vida. Ninguém faz escolhas sem saber o que foi abandonado.

        Foi naquele verão que vivi a minha primeira relação sexual, o meu primeiro amor. Abri mão de tudo. Abandonei o mestre, o nosso templo, os nossos estudos e a busca pela espiritualização para viver ao lado daquela mulher. Ela não era boa ou má, nós não erramos ou acertamos, só vivemos algo natural, algo nosso. Mais uma experiência pela qual eu tinha que passar.

        Mudamos para a cidade e passamos dias muito difíceis lá. Mais uma vez percebi que moram em mim sentimentos que eu ainda não conheço. Mais uma vez tive a prova que ainda sei pouco sobre mim. Eu sentia um ciúme desesperado dela e isso me adoecia. Eu a matei. Eu preferi vê-la morta, a correr o risco de vê-la com outro homem. A polícia estava me perseguindo, meu retrato e nome estavam nos jornais.

        Atordoado, perdido, o único caminho que conseguia fazer sem grandes esforços era o que me levava de volta ao templo, de volta ao mestre. Ele me recebeu e mais uma vez parecia saber que aquilo ia acontecer. Que aquele homem capaz de matar morava dentro de mim.

        Logo depois da minha chegada, os policiais também entraram no templo. Quando eles chegaram, me surpreenderam em pleno exercício espiritual. O mestre fez com que eu entalhasse na madeira do chão vários escritos e fez com que eu os pintasse também. Os policiais esperaram por dois que eu terminasse aquele trabalho que marcaria o fim do meu ciclo cármico e o início da minha iluminação.

        O mestre havia conseguido. Ele fez com que eu, seu aprendiz, entendesse várias coisas sobre mim e sobre as etapas que são naturais na vida de qualquer pessoa e, principalmente, sobre os erros que cometi em busca de como lidar com o fato de ser humano.

        Assim que fui levado, ele se purificou. Libertou o seu espírito para que pudesse receber novas missões. A vida tem um sentido, o de passar por ela, sem apegos.

        Eu saí da prisão e já estava mais maduro, mais consciente de mim mesmo. Voltei para o templo ciente de que teria que recomeçar, ou melhor, que teria que dar seqüência a minha história. Abri mais uma vez o portão que me levaria ao templo. Arrumei o que pude, senti a presença do mestre.

        Com uma pedra amarrada ao meu corpo, a que simboliza as minhas dores, subi a montanha. A peregrinação seria importante para elevar o meu espírito.

        Quando voltei, encontrei uma criança que havia sido deixada para que eu a passasse os ensinamentos budistas. Fui recebido como um mestre pelo meu pequeno aprendiz. A certeza disso veio no dia seguinte. A mãe daquela criança sofreu um acidente no gelo que se fez na superfície do lago e no local onde ela morreu, emergiu um Buda. Buda se manifestou.

        As portas e portões me lembravam o tempo inteiro que o mundo é espaço, é passagem. A passagem foi feita pelo mestre Oh que, embora reconhecesse que a matéria é nada, cuidou de seu corpo enquanto ele era moradia de sua alma.

        E como se a minha vida fosse uma história lúdica, abençoada pela poesia que existe nas imagens no entorno do templo, fui escrever as novas páginas da minha vida. Páginas essas que são somente de minha responsabilidade, só eu posso escrevê-las. A primavera chegou novamente. Para aqueles que prestaram atenção, foi na primavera que tudo começou (intriga de predestinação).

Assinado: Seo

Resenha: Mariana Menezes

Fonte: o filme e muitos textos…

O QUE É CERTO O QUE É ERRADO?

dezembro 2, 2009

Os valores éticos e morais estão diretamente relacionados à convivência pacífica. Não há sociedade onde as pessoas sejam iguais e desejem somente as mesmas coisas e sonhem somente os mesmos sonhos. Partindo dessa premissa, faz-se fundamental que haja uma regulamentação, também tácita, da maneira como as pessoas devem se tratar.

Os meios de comunicação divulgam, insistentemente, modelos de beleza, de felicidade, de riqueza que perturbam o cidadão comum. Fazem com que ele se sinta obrigado a participar de mundos que muitas vezes não são o dele.

O resultado dessa massificação de comportamento é a inversão de valores. Crimes administrativos podem deixar de ser repudiados pela sociedade quando eles são cometidos por justa causa (!): casas milionárias, carros e bebidas caras, etc…

A inversão vai além. Fernandinho Beira-Mar é um bom exemplo. Ele se tornou um ídolo. Valente, desafiador, chefe do tráfico, temido pela polícia e exemplo para os adolescentes e crianças – principalmente para aqueles que se sentem à margem da sociedade.

A televisão pulula de personagens que fazem os heróis parecem uns coitados, que fazem os comuns, aqueles que não são filhos do Manoel Carlos (autor de novelas da Rede Globo), se revoltarem contra a sorte que tiveram. E que fazem aqueles que não nasceram altos, magros, brancos, de olhos claros e cabelos lisos sofrerem diante da própria imagem.

O fato é que a imprensa é feita para pessoas e que tem a obrigação de ajudar essas mesmas pessoas a se gostarem, a se respeitarem na suas muitas diversidades.

Não é justo relativizar valores em função do “sucesso” do Fernandinho Beira-Mar. Fazer parecer que o certo é sempre aquilo que significa alguma vantagem, mesmo que em detrimento de outros.

Os jornalistas tem que se sentir responsáveis, de fato, por tudo aquilo que publicam. Eles estão criando, o tempo todo, mocinhos e bandidos na cabeça de milhões de pessoas.

É possível, na divulgação de um fato, a análise crítica e moral do ocorrido. É possível tirar lições valorosas das experiências dos outros e é possível, principalmente, praticar um jornalismo responsável e formador.

Valores e ideais invertidos vendem mais!


A discussão sobre a comercialização do jornalismo parece não ter fim. Há vertentes que recebem com naturalidade a orientação de que uma matéria vai ser cortada pela metade, não vai sair naquela edição ou mesmo que vai mudar completamente o foco em função de um comercial que “entrou”. E há outras, menos tolerantes, que dizem não se vender e que repudiam a associação do jornalismo à tirania das cifras.

As pessoas ainda acreditam na imprensa. Ainda reproduzem o que a imprensa conta para elas todos os dias. Portanto, são essas mesmas pessoas que merecem o respeito dos meios de comunicação para que a relação, inclusive de consumo, se dê sem traumas.

A formação de uma sociedade deve ser buscada para além dos limites das escolas. Ela está na internet (páginas institucionais, sites de notícias, blogs e outros sites de relacionamentos), na televisão, no rádio, na conversa de um vizinho, do taxista, do jornalista com o barbeiro… Está em todos os lugares e o tempo todo. E é de responsabilidade da imprensa apresentar-se ética, comprometida com o bem da coletividade.

Não há bem comum, sem que os valores éticos e morais estejam estabelecidos como regras de boa convivência. A imprensa pode valorizar aquele que devolveu um dinheiro encontrado na praça; pode prestar serviços à comunidade com mais boa vontade e pode ter o ser humano na conta de personagem principal e não acessória ao dinheiro.

As crianças devem ter condições de encontrar leituras que as façam perceber que o dinheiro é sim importantíssimo na manutenção de suas vidas, mas, que o conceito de vida não se restringe aos atos de pagar contas ou adquirir coisas. Que vida, de verdade mesmo, pede para que se passe tempo com as pessoas de quem se gosta, que se faça boas ações para sentir paz, que se preocupe com o próximo em troca de estar mais perto de Deus.

Os valores morais são aqueles que pertencem a um código que não precisa ter forma expressa e que é norteado pela luta diária por uma convivência feliz com o outro. É importante, sempre que possível, colocar-se no lugar do outro, tentar sentir o que ele sente, tentar ver o que ele vê e antes de julgar, tentar respeitá-lo. Simplesmente isso: respeitar.

Assim, certamente matérias de sentidos ambíguos deixariam de ser publicadas. E deixariam de ser publicadas também matérias que punem, antes da Justiça, pais de família; que debocham de filhas flagradas em situações vexameiras…

Ninguém faz jornal para não vender, isso é fato. Mas vender notícias que estimulem o descaso com o ser humano e que incitem relações turbulentas, violentes e sem ética pode significar um preço alto demais – mais alto até que o preço cobrado pelo comercial que “entrou”.

Mariana Menezes

VERGONHA!

novembro 25, 2009

Melhorar o comércio entre Brasil e Irã é uma desculpa boa para os dois países mais potentes na extração de petróleo atualmente. Mas apoiar uma eleição falsária e dizer que os oponentes do Mahmoud Ahmadinejad não sabem perder; que a eleição, lá, é igual jogo de Corinthians X Palmeiras  é igualar vítimas de genocídios a tristezas de torcedores no final de uma partida de futebol. Que vergonha Sr. Lula!

Wanderson Leal

O DESPERTAR DA PRIMAVERA: AS NOVAS MÍDIAS E A INVERSÃO DE VALORES

novembro 19, 2009

A cada dia a inovação tecnológica surpreende a sociedade com sua aversão à tradição moral. As pessoas mostram que quanto mais desenvolvidas tecnologicamente, menos conhecimento com o bem estar social.  A conduta de quebrar regras e faltar com respeito às pessoas cria certo sentimento, absurdo e ilusório, de poder. Isto se nota nas novas gerações de protagonistas da sociedade.

Todo esse comportamento está ligado diretamente às facilidades midiáticas. Na grande maioria, as fotos, áudios e vídeos da internet são idolatrias do vazio, do efêmero. Quantas vezes nos deparamos com uma Geize Arruda, destaque em toda a mídia nacional por participar de um reality show, programa de auditório, ou no caso dela, usar mini-roupas numa universidade. O problema aqui, não é a garota, mas sim a confusão feita entre o conflito de ética e moral de uma instituição e seus alunos com a transformação de um ídolo pela mídia.

Estes ícones do vazio se transformam em “heróis” para a população, os “heróis” sem conteúdo, sem objetivo. Ao analisar o surgimento dos novos “ícones” das mídias, é possível enxergar o assoreamento do intelecto social, já que o importante é a audiência do veículo e não uma difusão e discussão sobre a ética e moral. Um exemplo de como o ídolo “se deu bem” se transforma em repetições e modelos de vidas, já que passou na TV, então PODE!

Pagar os impostos em dia, devolver troco errado, entregar o celular achado, valorizar o trabalho do próximo… esses atos fazem qualquer cidadão ser chamado de bobo. A nova ordem é: se ele se deu bem, por que eu não posso? E se passar na TV fica mais fácil, torna-se assim mais um famoso. Principalmente se for na região Centro-oeste de Minas, onde a nova moda é a aquisição de antenas para televisores intituladas “piratão”. Captam 200 canais sem ter que pagar as concessionárias de canais por assinatura.

Nesta de se dar bem, no último domingo em Nova Serrana ocorreu o maior campeonato de som automobilístico de Minas Gerais, o famoso Fúria Sobre Rodas. No palco principal dois “ídolos” de um canal aberto de televisão um rapaz cantando funk carioca com cinto e chapéu de cowboy, fazia John Lennon revirar no túmulo por usar o mesmo nome. E uma de suas ajudantes, a Garota Tantão de calcinha e sutien, rebolava e gingava  com a sensualidade de um coito. Fizeram a festa para 10 mil pessoas. Parte desse público eram crianças de três a doze anos, no colo ou de mãos dadas com os pais.

No campeonato, com quinze modalidades diferentes, um rapaz gastou 40 mil reais na montagem do som do carro e ganhou a premiação máxima, um troféu com base de madeira e um acrílico silkado. Para conseguir essa façanha queimou todo o equipamento ao demonstrar a pujança do som na prova.

É necessária uma revisão rápida e profunda sobre o conteúdo dos nossos meios de comunicação e a difusão dos valores sociais que realmente valem à pena. As inversões desses valores fazem de inocentes vítimas do “culturamento” do vazio, dos ídolos sem objetivos, do efêmero.

Wanderson Leal

BACALHAU EM POSTAS COM BATATAS AO MURRO

novembro 18, 2009

Para um blog sobre cultura e baratos afins, nada melhor estreiar com  uma receita luso-mineira. Luso pela língua e mineiro pelo jeito caipira.

Então vamos lá, a receita é original!

Bacalhau em postas com batatas ao murro – assado no forno com cebola, pimentão, cenouras, batatas, coentro e azeite.


INGREDIENTES

04 postas de bacalhau

08 batatas

02 cebolas

04 alhos

03 cenouras

02 pimentões

04 ramos de coentro

02 limões

Pimenta do reino

Azeite e sal grosso

PREPARO

01 – Coloque as postas de bacalhau de molho no suco de limão com sal grosso por 15 min.

02 – Lave bem as batatas e as cenouras. Coza-as inteiras e com cascas; corte as cebolas em cruzes; pique o alho em fatias; corte os pimentões em pedaços de aproximadamente 03 centímetros.

03 – Depois das batatas e cenouras cozidas, descasque e pique as cenouras; e com ajuda de um pano dê um murro nas batatas.

04 – Numa frigideira doure o alho com azeite e refogue a cebola, o pimentão e a cenoura.

05 – Lave as postas de bacalhau, para tirar o excesso de sal e limão e coloque-as num tabuleiro com as batatas e o refogado.

06 –  Pique os ramos de coentro com pimenta do reino e salpique em cima do bacalhau e da batata.

07 – Leve ao forno aquecido a 200º durante cerca de 25 minutos; de vez em quando regue com azeite.

Sirva com vinho de uvas Tempranillo, haha!!!

Wanderson Leal