O DESPERTAR DA PRIMAVERA: AS NOVAS MÍDIAS E A INVERSÃO DE VALORES

A cada dia a inovação tecnológica surpreende a sociedade com sua aversão à tradição moral. As pessoas mostram que quanto mais desenvolvidas tecnologicamente, menos conhecimento com o bem estar social.  A conduta de quebrar regras e faltar com respeito às pessoas cria certo sentimento, absurdo e ilusório, de poder. Isto se nota nas novas gerações de protagonistas da sociedade.

Todo esse comportamento está ligado diretamente às facilidades midiáticas. Na grande maioria, as fotos, áudios e vídeos da internet são idolatrias do vazio, do efêmero. Quantas vezes nos deparamos com uma Geize Arruda, destaque em toda a mídia nacional por participar de um reality show, programa de auditório, ou no caso dela, usar mini-roupas numa universidade. O problema aqui, não é a garota, mas sim a confusão feita entre o conflito de ética e moral de uma instituição e seus alunos com a transformação de um ídolo pela mídia.

Estes ícones do vazio se transformam em “heróis” para a população, os “heróis” sem conteúdo, sem objetivo. Ao analisar o surgimento dos novos “ícones” das mídias, é possível enxergar o assoreamento do intelecto social, já que o importante é a audiência do veículo e não uma difusão e discussão sobre a ética e moral. Um exemplo de como o ídolo “se deu bem” se transforma em repetições e modelos de vidas, já que passou na TV, então PODE!

Pagar os impostos em dia, devolver troco errado, entregar o celular achado, valorizar o trabalho do próximo… esses atos fazem qualquer cidadão ser chamado de bobo. A nova ordem é: se ele se deu bem, por que eu não posso? E se passar na TV fica mais fácil, torna-se assim mais um famoso. Principalmente se for na região Centro-oeste de Minas, onde a nova moda é a aquisição de antenas para televisores intituladas “piratão”. Captam 200 canais sem ter que pagar as concessionárias de canais por assinatura.

Nesta de se dar bem, no último domingo em Nova Serrana ocorreu o maior campeonato de som automobilístico de Minas Gerais, o famoso Fúria Sobre Rodas. No palco principal dois “ídolos” de um canal aberto de televisão um rapaz cantando funk carioca com cinto e chapéu de cowboy, fazia John Lennon revirar no túmulo por usar o mesmo nome. E uma de suas ajudantes, a Garota Tantão de calcinha e sutien, rebolava e gingava  com a sensualidade de um coito. Fizeram a festa para 10 mil pessoas. Parte desse público eram crianças de três a doze anos, no colo ou de mãos dadas com os pais.

No campeonato, com quinze modalidades diferentes, um rapaz gastou 40 mil reais na montagem do som do carro e ganhou a premiação máxima, um troféu com base de madeira e um acrílico silkado. Para conseguir essa façanha queimou todo o equipamento ao demonstrar a pujança do som na prova.

É necessária uma revisão rápida e profunda sobre o conteúdo dos nossos meios de comunicação e a difusão dos valores sociais que realmente valem à pena. As inversões desses valores fazem de inocentes vítimas do “culturamento” do vazio, dos ídolos sem objetivos, do efêmero.

Wanderson Leal

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